10/08/09 -
Tecnologia do algodão adensado é
aprovada em dia de campo da Ampa.
“Estamos muito
animados, não só com a produtividade,
mas, principalmente, com a qualidade
intrínseca da fibra que tem se mostrado
bem superior ao que imaginávamos obter”.
Com esta declaração o presidente da
Associação Mato-grossense dos Produtores
de Algodão (Ampa), Gilson Ferrúcio
Pinesso, classifica o sucesso da
experiência do sistema adensado que está
sendo colhido, entre julho e agosto, em
mais de cinco mil hectares de várias
fazendas no Estado.
Essa nova tecnologia, utilizada há
décadas nos Estados Unidos e há quase 10
anos na Argentina, já pode ser
considerada pelo Instituto
Mato-grossense do Algodão (IMAmt) como a
alternativa para incrementar a
cotonicultura no Estado, que é o maior
produtor do país.
“Não tenho dúvidas que na próxima safra
Mato Grosso vai plantar mais de 100 mil
hectares no sistema adensado”, estimou o
presidente da Câmara Setorial do Algodão
e Derivados do Ministério da Agricultura
e Pecuária (Mapa) e conselheiro
consultivo da Ampa, Sérgio De Marco.
Na avaliação dele, que realizou o
terceiro e último Dia de Campo do IMAmt
deste ano, na quarta-feira, cinco de
agosto, na Fazenda São Francisco, em
Rondonópolis, distante 212 km de Cuiabá,
o adensado é o caminho que o setor tem
que trilhar, porque, além de recuperar
os 200 mil hectares que não foram
cultivados nas últimas safras, é uma
forma de reduzir custos da produção e
garantir mais rentabilidade.
Outro ponto destacado pelo produtor De
Marco é a pujança do adensado. “A
surpresa é muito boa justamente porque a
qualidade da pluma garante a
comercialização da matéria-prima para a
indústria nacional e também para a
exportação, que é o que nos interessa”,
assegurou.
Quem também está satisfeito com o
resultado do adensado é o produtor e
governador de Mato Grosso, Blairo Maggi.
Depois de visitar lavouras e acompanhar
o trabalho de colheita de dentro de uma
máquina colhedeira, o governador disse
que os produtores mais uma vez saem na
frente em busca de alternativas. “O
produtor mato-grossense é muito
arrojado. Foi atrás de máquinas, fora do
país, e fez modificações para adaptar à
região. Tudo isso, para trabalhar com a
tecnologia do adensado, aliada aos
estudos do Instituto Mato-grossense do
Algodão, que é muito revolucionária e
até milagrosa”, frisou Blairo Maggi.
De acordo com ele, agora o produtor
passa a colher mais, com menos custo e
aproveita a terra nos demais períodos,
na safra normal de soja ou milho e
depois com a safra de algodão. “Acredito
que o Estado vai recuperar logo os 200
mil hectares, que deixaram de ser
plantados nos últimos tempos, e podemos
retornar os 500 mil hectares com
competitividade e com resultados
positivos para o produtor”, avaliou o
governador.
O secretário de Estado de
Desenvolvimento Rural, Neldo Egon, não
tem dúvidas que o adensado vai
possibilitar ao produtor plantar a
cultura como segunda safra. Essa, opção,
na opinião de Egon, levará mais
cotonicultores a aderir a essa nova
tecnologia no Estado. “Isso será
excelente para a economia de Mato
Grosso, porque vai continuar crescendo e
atingirá patamares ainda maiores”,
assinalou o secretário.
Além de autoridades e de engenheiros
agrônomos, pesquisadores, produtores e
técnicos agrícolas de Mato Grosso e de
outros Estados, o Dia de Campo do IMAmt
foi prestigiado pelos deputados estadual
Jota Hermínio Barreto e federal
Wellington Fagundes, ambos do PR, por
cotonicultores e representantes de
tradings e indústrias têxteis do
Paraguai, Argentina, Estados Unidos e
Suíça.
“Estou impressionado com a iniciativa
dos colegas mato-grossenses com o
sistema adensado. Tenho certeza que essa
experiência vai impulsionar, não só São
Paulo, o país inteiro a apostar nessa
tecnologia”, disse o presidente da
associação Paulista de Produtores de
Algodão (APPA), Ronaldo Spirlandelli de
Oliveira.
“Realmente o que vimos aqui é
maravilhoso”, completou o presidente da
Associação Mineira dos Produtores de
Algodão (Amipa), Inácio Urban. Para ele,
a vinda de produtores a Mato Grosso é de
extrema importância para o setor
algodoeiro de Minas Gerais. “Vamos levar
tecnologias que estão dando certo nas
lavouras de Mato Grosso para o nosso
Estado. Nossa produção é em menor
escala, mas queremos atingir a mesma
qualidade”, informou Urban.
Fonte:
24 Horas
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